Tipos de fundações: saiba como identificar a melhor opção

Toda edificação precisa distribuir no solo as cargas que agem sobre ela. Mas, para isso, existem diversos tipos de fundações, então é importante conhecê-las e saber escolher a mais adequada para cada caso específico.

Na prática, a execução de uma obra começa pela fundação, pois é a partir dela que a estrutura será construída. Porém, a escolha do tipo correto de fundação começa desde a concepção da obra, já que adotar um dos tipos requer o estudo de diversas variáveis.

É necessário levar em conta questões relacionadas ao local da obra, como o tipo de solo, a profundidade do lençol freático, a presença de rochas e qualquer outro detalhe que vá influenciar diretamente na distribuição das cargas no solo.

Por isso, antes de escolher entre os tipos de fundações, o procedimento correto é realizar um estudo detalhado das propriedades do solo. Isso ajuda a avaliar questões como a deformabilidade do solo, a resistência, a saturação e a profundidade das camadas. Com isso é possível criar um projeto de construção para a fundação.

Normalmente esse estudo é realizado através da Sondagem de Simples Reconhecimento ou da Sondagem SPT (Standard Penetration Test). Essa etapa não deve ser negligenciada, visto que é muito mais barato fazer um estudo do solo do que escolher a fundação errada ou ter problemas futuros com o alicerce.

Outros fatores importantes são a avaliação do entorno, visto que alguns tipos de fundações produzem vibrações que podem causar problemas à edificações vizinhas, e também, claro, a carga da estrutura que será construída.

De maneira geral a escolha da fundação adequada é uma combinação que depende da carga, do solo, do entorno e do nível do lençol freático. Mas tudo isso deverá ser bem analisado pelo engenheiro calculista e os profissionais envolvidos nessa etapa.

Os diversos tipos de fundações podem ser divididos em dois grupos: as fundações rasas ou diretas e as fundações profundas ou indiretas. Entenda abaixo a diferença e quais fundações se encaixam em cada grupo.

Tipos de fundações: saiba quais são os principais

Fundações rasas ou diretas

As fundações rasas são aquelas que distribuem as cargas provenientes da edificação diretamente no solo predominantemente pela base da fundação. Esses tipos de fundações só devem ser utilizadas em solos com boa resistência em uma profundidade inferior à 3 metros.

Existem três tipos de fundações rasas: as sapatas, divididas em isolada e corrida, o radier e o bloco de fundação. Em todos esses métodos é necessário fazer uma escavação do solo e  para conferir a resistência é preciso utilizar um dos materiais de construção civil mais conhecido, o concreto.

As sapatas isoladas são blocos de concreto armado que são conectadas diretamente aos pilares e ficam relativamente distantes umas das outras. Já as sapatas corridas são diferentes pois são contínuas apresentando formato de viga e geralmente são utilizadas quando as distâncias entre os pilares são pequenas.

O radier é uma fundação que se assemelha à uma laje de concreto armado, mas apresenta uma espessura maior. Ele é construído por baixo de toda a área da estrutura e distribui as cargas provenientes da edificação para o solo através de toda sua extensão.

Já os blocos de fundação são blocos retangulares de concreto que não possuem armadura de aço. Por não possuírem armadura, eles precisam ter uma dimensão muito maior do que as sapatas isoladas, o que permite resistir às cargas e transmiti-las ao solo. 

Vale ressaltar que por mais que as fundações rasas sejam mais comumente utilizadas em obras de pequeno porte, em alguns casos, quando o solo apresenta características muito favoráveis, elas podem ser aplicadas em obras maiores. Além disso, é preciso se atentar ao cálculo de demanda de materiais nesses tipos de fundação.

Fundações profundas

Quando o solo do terreno não apresenta boa resistência nos primeiros 3 metros de profundidade, é preciso recorrer às fundações profundas. As principais são as estacas e os tubulões.

Esses tipos de fundações transmitem a carga proveniente da estrutura pela resistência de fuste, pela lateral, e a resistência de ponta, pela base. Como o próprio nome já diz, elas alcançam grandes profundidades e geralmente são cobradas por metro linear, então quanto mais profundo mais caro será.

As estacas têm seções transversais pequenas e grandes comprimentos e podem ser pré-moldadas ou moldadas in loco. Entre as pré-moldadas estão as estacas de madeira, de concreto armado ou protendido e as metálicas. Já as moldadas in loco são as do tipo Franki, do tipo Strauss e hélice contínua.

O concreto é um dos materiais mais utilizado na construção das estacas in loco. Por isso, é necessário que haja um controle de qualidade do concreto. Só assim a fundação poderá desempenhar seu papel corretamente e atingir as resistências necessárias.

Estacas de concreto e metálicas são cravadas no solo por meio de percussão, vibração ou prensagem. Já as estacas de madeira são cravadas com o uso de um bate estacas. A cravação das estacas causa grandes vibrações e ruídos, por isso é preciso estudar as condições das edificações vizinhas antes de utilizar essas estacas.

A principal diferença entre as estacas de concreto e as metálicas é que no caso das metálicas a emenda é realizada com maior facilidade e segurança, possibilitando chegar em profundidades maiores.

Já as estacas de madeira são mais comuns em obras provisórias, mas quando utilizadas em obras permanentes devem passar por tratamento contra elementos que possam danificar sua estrutura. Elas também podem ser emendadas, mas é preciso cuidar com a variação do nível d’água, pois isso pode deteriorar a madeira.

As estacas do tipo Franki são realizadas com perfurações através da cravação de um tubo de ponta fechada com o auxílio de um bate estaca, à medida que o tubo é retirado a armadura e o concreto são inseridos na perfuração.

As estacas do tipo Strauss e hélice contínua não produzem vibração ao serem construídas. A do tipo Strauss necessita de uma escavação prévia para então a perfuração ser concretada na obra, por isso ela não atinge grandes profundidades e não consegue ter tanta resistência quanto às pré-moldadas.

Na estaca de hélice contínua, a perfuração é realizada com um trado helicoidal com tubo vazado central. Quando a perfuração é concluída, o concreto vai sendo despejado à medida que o trado é retirado.

O tubulão a céu aberto é uma estaca de grande diâmetro e que possui a base alargada, necessitando a descida de um operário para realizar o alargamento. Esse método é utilizado apenas em solo coeso que não necessita de escoramento.

A norma que define os critérios a serem observados no projeto e execução de fundações é a NBR 6122. Conhecer e respeitar a norma é dever de todos os profissionais que estiverem envolvidos na etapa da realização da fundação de uma obra.

Esta é uma das etapas que mais custa em uma obra, por isso é necessário ter conhecimento e saber escolher o método mais adequado entre os tipos de fundações. Além disso, a fundação sustenta toda a estrutura e se for realizada incorretamente pode levar até ao desmoronamento da edificação.

Ficou alguma dúvida sobre os principais tipos de fundações e da importância de escolher corretamente? Comente aqui embaixo.

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