Aplicando a metodologia PERT/CPM à gestão de projetos de construção

No post de hoje, falaremos sobre uma metodologia muito usada para planejamento, especialmente na gestão da construção: o método PERT/CPM. Ele permite uma melhor visualização de como as atividades serão alocadas, auxiliando na diminuição de imprevistos e na realização de um cronograma realista para a obra.

A metodologia é usada para determinar quanto tempo levará um projeto de construção e qual seu caminho crítico, ou seja, quais tarefas devem ser priorizadas para que não ocorram atrasos. Assim, como resultado, também é possível identificar folgas (atividades que podem ter sua duração programada estendida sem qualquer prejuízo ao cronograma).

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É importante ressaltar que, por mais que geralmente o PERT e o CPM sejam utilizados juntos, eles são metodologias diferentes. O primeiro funciona como uma técnica que leva em consideração o planejamento, programação, organização, coordenação e controle de processos com tempos mutáveis. Já o segundo toma como base que a duração das atividades são fixas e não variáveis.

Como funciona?

O nome é a junção de duas metodologias diferentes que funcionam em conjunto: a Critical Path Method (CPM) e a Program Evaluation and Review Technique (PERT).

O método CPM foca no caminho crítico do projeto de construção através de uma sequência de atividades, determinando sua duração. Já o PERT analisa três possíveis situações (otimista, mais provável e pessimista). 

Ambas as técnicas foram desenvolvidas independentemente. Porém, como possuem grandes semelhanças, passaram a ser usadas em conjunto e, atualmente, é comum tratá-las como uma única metodologia.

Bastante aplicada no planejamento da construção civil, por ser uma técnica ampla, também é utilizada em outras engenharias, na produção de filmes, em pesquisas, na condução de campanhas publicitárias, entre outros.

A importância do PERT/CPM na gestão de projetos de construção

Para compreender a importância do método PERT/CPM e como usá-lo, é preciso destacar, primeiro, seus objetivos. Conhecendo suas finalidades de maneira prática, fica fácil entender como a metodologia pode ser fundamental em um projeto. Quando aplicada à construção, seus principais propósitos e benefícios são:

Evitar problemas de ociosidade e atrasos

Em uma obra, a maioria das etapas dependem diretamente de outras, e quando uma dessas atrasa, todas as demais também vão sofrer um atraso. Isso gera não só um problema com o cronograma mas também gastos excessivos com ociosidade de trabalhadores que precisam esperar, às vezes até dias, até que suas atividades possam ser realizadas.

Assim, um dos objetivos é minimizar os problemas localizados nos projetos de construção. Com esses possíveis atrasos na obra, os serviços podem não começar no tempo correto em decorrência do atraso de outros, gerando folgas muito grandes para determinadas equipes e acúmulo de atividades para outras.

Analisar os pontos importantes

Algumas etapas construtivas são mais cruciais que outras, causando maiores problemas tanto em questões de atraso quanto de gastos. Um exemplo é a concretagem dos elementos estruturais, quando feito in loco, que caso ocorra alguma falha acaba gerando enormes prejuízos e inviabilizando a continuação de outros processos da obra até que tudo seja resolvido.

Por isso, as metodologias PERT/CPM visam auxiliar a identificar quais são as etapas críticas e que merecem maior atenção. Além de definir folgas para que, mesmo com atrasos, a execução ainda fique dentro do prazo. Com isso, evitando que problemas ocorram nesses processos construtivos e que isso gere atrasos em todo o cronograma. 

Permitir uma melhor visualização da obra e prever fatores críticos

As construções, principalmente de grande porte, possuem diversas frentes de trabalho e todas elas precisam ser devidamente controladas e geridas para que não haja nenhum atraso ou retrabalho. Além disso, quando algum problema acontece, é importante que a solução seja definida de forma rápida.

Assim, o objetivo do método é permitir um maior controle e panorama geral da construção, permitindo uma visualização mais detalhada de toda a execução. Além de também possibilitar uma previsão antecipada dos fatores críticos que podem acontecer, já pensando em possíveis decisões a serem tomadas. Dessa forma, evitando retrabalho, atrasos e reduzindo gastos desnecessários.

Estabelecer um cronograma de obras

No geral, todas as obras têm um prazo para entrega estipulado antes do começo das etapas construtivas. Mas só a data final não é suficiente, é preciso que todas as atividades sejam descritas e planejadas de forma detalhada, com prazos para começo e término, além de uma ordem definida para cada uma.

Dessa forma, a metodologia PERT/CPM tem como objetivo estabelecer um cronograma para definir as datas, a ordem e as informações relevantes sobre cada etapa. Assim, viabilizando uma programação mais eficiente da equipe e também permitindo uma compreensão mais clara sobre as datas em que empresas terceirizadas precisam estar contratadas e trabalhando.

O Método do Caminho Crítico com o Diagrama de Redes

O caminho crítico é a sequência de tarefas que leva mais tempo para ser terminada. Essa sequência determinará o tempo total do projeto de construção e não haverá folgas nas atividades. É a informação mais importante porque, a partir dela, é possível identificar quais serviços devem ser priorizados e finalizados no prazo para que a obra não sofra atrasos.

Se o resultado do caminho crítico for mais longo do que o esperado, é possível trabalhar agilizando-o (acelerando alguma das atividades). Após a redução do tempo de alguma das tarefas, é preciso reavaliar o caminho crítico para saber se ele continua o mesmo e, então, fazer uma nova aceleração, se necessário.

Já o Diagrama de Redes mostra a dependência entre tarefas através de símbolos (setas, setas pontilhadas, círculos) e informações relevantes (caminho das setas, tempo entre as atividades).

Círculos

Simbolizam a transição entre tarefas e também são chamados de nós. Entre eles, ficam as setas, evidenciando um ponto de partida e seu destino de acordo com o fluxo de dependência das atividades. Os círculos facilitam a visualização do gráfico e devem ser sempre numerados (a numeração pode ser aleatória, já que não influencia o diagrama em nenhum aspecto).

Setas

As setas são as tarefas a serem executadas. Em cada uma delas, há o nome da atividade na parte de cima (geralmente são usados códigos, para não poluir o diagrama) e, embaixo, o tempo necessário para a sua realização.

Setas pontilhadas

Semelhantemente às setas cheias, elas representam atividades, mas essas são chamadas de “atividades fantasmas ou imaginárias”, pois servem para mostrar dependência entre dois serviços sem criar um novo. Embora as setas cheias também estabeleçam a relação de dependência, as setas pontilhadas ainda têm outro uso, que será melhor explicado abaixo através de um exemplo.

É preciso ter atenção, pois, para quem não esteja acostumado com a metodologia, os círculos podem parecer tarefas e a seta, apenas uma ligação entre elas.

Exemplo de uso da metodologia PERT/CPM

Relembrando os conceitos e as informações da imagem:

  • Círculos: transição entre tarefas. Numeração aleatória;
  • Setas: as letras são códigos que representam atividades reais. Os números simbolizam o tempo que elas levam para ser concretizadas.

Portanto, a tarefa A precisa ser finalizada antes do início das tarefas B e C. A tarefa D só poderá ser feita depois que a B for terminada, assim como a tarefa E só poderá ser realizada após a C ser executada. Por fim, a última tarefa, a F, só poderá ser executada depois que a D e a E estiverem concretizadas.

Temos dois caminhos de serviços nesse diagrama:

  1. A-B-D-F: esse caminho levará 2+2+2+5 = 11 dias para ser finalizado.
  2. A-C-E-F: esse caminho levará 2+2+4+5 = 13 dias para ser finalizado.

Dessa forma, o A-C-E-F é o caminho crítico, porque determina o tempo total necessário para realizar todas as atividades. Falaremos mais sobre o assunto no próximo tópico.

Concluímos que a atividade D pode ser realizada ao mesmo tempo que a atividade E, porém, a atividade D será feita em 2 dias e a atividade E levará 4 dias. Isso significa que a atividade D tem uma folga de 2 dias, ou seja, é possível atrasá-la por até 48 horas sem influenciar o cronograma final da obra.

Essa análise também nos dá a informação de que a equipe da atividade D pode ficar ociosa por 2 dias se tiver que esperar a equipe da E terminar o serviço e não houver outra atividade programada.

Ainda de acordo com o mesmo exemplo, a atividade D é dependente da B, e a atividade E tem dependência da C. Vamos supor que a atividade E só possa ser iniciada após o término de B e C. Para ilustrar isso, usamos a seta pontilhada.

A seta pontilhada não representa nenhuma atividade a mais, apenas indica o que citamos anteriormente. Agora, para a realização da atividade E, é preciso, primeiro, finalizar os serviços B e C.

Usando o PERT/CPM na engenharia

Em um exemplo prático aplicado à engenharia, poderíamos trocar as tarefas por:

A – execução de alvenaria

B – reboco e chapisco interno

C – reboco e chapisco externo

D – revestimento interno (pintura)

E – revestimento externo (pastilhas)

F – acabamentos internos e externos

Substituindo as atividades da seção anterior por esses serviços, veríamos que a execução de alvenaria precisa ser finalizada antes do início do reboco e chapisco interno e do reboco e chapisco externo. O revestimento interno (pintura) só poderá ser feito depois que o reboco e chapisco interno for terminado.

Da mesma forma como o revestimento externo (pastilhas) só poderá ser realizado após o reboco e chapisco externo ser executado. Por fim, só poderemos desempenhar a última tarefa, acabamentos internos e externos, depois que os revestimentos interno e externo estiverem concretizados.

Neste exemplo, estamos usando uma mesma equipe para acabamentos internos e externos, colocando ambas as atividades como dependentes para que o time tenha toda a frente de trabalho aberta. Poderíamos, também, separar as tarefas e colocar sua dependência para cada uma das anteriores.

Não existe um “diagrama padrão”. Para cada situação, é possível adotar aquilo que represente melhor a realidade da construção e da empresa.

Voltamos, então, ao nosso exemplo de engenharia, em que a atividade D representa revestimento interno e a atividade E representa revestimento externo. Sabemos que a equipe de revestimento interno acabará seu serviço 2 dias antes. Então, seria possível programar para que este time se junte ao de revestimento externo após o término de sua atividade, talvez até melhorando o prazo desta última, de 4 para 3 dias, por conta do aumento da produtividade.

Por fim, o exemplo dado aborda o básico do diagrama, com poucas tarefas e uma numeração curta. Em uma obra real, o esquema torna-se muito mais complexo. Desse modo, é importantíssimo entender o básico do sistema.

Cálculo do PERT

No esquema acima foi criado um exemplo prático para identificar o caminho crítico da obra através do método CPM. Mas poderia ainda ser calculada a duração de uma atividade  através do método PERT levando em conta três suposições do tempo, em dias, para a realização da tarefa. Essas suposições são: otimista, mais provável e pessimista. Com isso, utilizamos a seguinte fórmula para fazer a conta:

Prazo PERT = (Otimista + (4 x Mais Provável) + Pessimista)/6

Podemos ainda obter um desvio padrão para somar e diminuir ao prazo PERT para que a obra fique dentro de todas as suposições, evitando que haja atrasos ou que sobre muito tempo ocioso. O desvio é calculado da seguinte maneira:

Desvio = (Pessimista – Otimista)/6

Com tudo calculado, obtemos um prazo de duração de uma determinada atividade e temos uma ideia de quanto tempo para mais e para menos essa tarefa pode demorar, levando em consideração os imprevistos e a produtividade.

Conclusão

A metodologia PERT/CPM na gestão de projetos de construção permite ter  controle do desempenho das equipes e identificar em quais atividades elas precisam focar para que não ocorram atrasos na obra.

As informações geradas utilizando essa metodologia podem ser usadas para melhorar o direcionamento da obra e a produção. No exemplo que usamos, já seria possível prever a paralisação de uma frente de trabalho e a readequação das atividades daquele grupo.

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