ISO 14001 e 9001: qual é a diferença para o setor de construção?

Implementar uma norma de qualidade em uma empresa não se trata apenas de uma questão obrigatória para atingir novos mercados ou atender exigências. Abrir a casa a processos de auditoria, seja da ISO 9001 ou da ISO 14001, é uma oportunidade de identificar pontos de aperfeiçoamento em prol de melhores resultados para o negócio.

Quem atua na construção sabe que essas diretrizes são importantes para aumentar a qualidade dos procedimentos e, por isso, devem fazer parte do dia a dia de toda obra.

No geral, é um caminho longo, mas com certeza recompensador. A adoção de medidas determinadas pelas vistorias geram uma evolução nos ganhos financeiros, por meio da economia de recursos, da diminuição de erros, retrabalhos e desperdício, do crescimento da produtividade, entre outros fatores.

As duas normas mais conhecidas, mais utilizadas e que mais podem agregar valor ao meio empresarial são a ISO 14001 e a ISO 9001. Neste artigo, vamos discutir a diferença entre elas, com foco no setor de construção.

Normas ISO – o que são?

ISO é a abreviação do termo em inglês International Organization for Standardization (Organização Internacional para Padronização). Essa é uma das maiores instituições do mundo em termos de padrões de produção. É sediada em Genebra, na Suíça.

No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a responsável pelo reconhecimento das diretrizes internacionais e, também, pela atualização e revisão delas. Qualquer regulamento ISO requer uma política, objetivos e metas para que os colaboradores possam guiar-se em suas funções.

De forma mais resumida, é um conjunto de documentos e registros que realizam o controle e a análise crítica das práticas adotadas em meios empresariais, como, por exemplo, no segmento da construção civil.

ISO 14001

A ISO 14001 é da família das normas de série 14000 – todas relacionadas às questões ambientais.

O de número 14001 tem a ver com os princípios que uma corporação deve seguir para implementar e operar um Sistema de Gestão Ambiental. Essa estrutura, por sua vez, é focada na redução dos impactos causados ao meio ambiente.

Uma organização certificada com a ISO 14001 é aquela que se preocupa com a preservação e que está comprometida com objetivos de sustentabilidade.

Especificamente no setor de edificações, a aplicação dessa norma se volta para demandas de desenvolvimento sustentável tanto em obras finalizadas quanto nas que estejam em processo de construção.

Isso influencia todo o projeto do empreendimento, pois cria-se formas de diminuir o uso de recursos naturais (especialmente água, luz e energia) em todas as fases da edificação.

ISO 9001

A ISO 9001, por sua vez, faz parte da série 9000 e tem a ver com o controle de procedimentos construtivos e administrativos, principalmente focado no planejamento da obra, no treinamento e qualificação de funcionários, no processo de vendas, entre outros.

De modo geral, esse sistema de gestão conta com oito importantes requisitos:

  • Atenção ao cliente;
  • Liderança;
  • Envolvimento de pessoas;
  • Abordagem de métodos;
  • Levantamento sistêmico;
  • Melhoria contínua;
  • Decisões baseadas em fatos;
  • Relacionamento com fornecedores.

Uma empresa que tenha a ISO 9001 atende às exigências listadas acima. Isso garante que ela seja capaz de dar qualidade aos produtos oferecidos ou aos serviços prestados a seus consumidores.

No caso da construção, essa norma se aplica a qualquer corporação que atue em procedimentos de projeto, edificação, produção e gerenciamento.

A implementação da ISO 9001 no setor auxilia na segurança e na efetividade dos processos de obras. As ações estabelecidas visam a organização, a diminuição do desperdício, um maior lucro, entre outros resultados.

Qual a diferença entre a ISO 9001 e a ISO 14001 para a construção?

Ambas as diretrizes são importantes para a construção, porque garantem seguridade e a otimização das etapas da construção. A diferença entre elas gira em torno do sistema de gestão. Enquanto uma se baseia na qualidade e na satisfação do cliente, a outra se relaciona com o meio ambiente.

A ISO 9001 fornece princípios e requisitos para desenvolver um produto ou serviço que atenda às necessidades dos clientes, partindo do pressuposto da segurança. No que tange aos erros durante a execução de serviços, a ISO prevê uma notificação de não conformidade, e não de um plano de emergência, por exemplo.

Já a ISO 14001 é o conjunto de premissas para uma estrutura de gerenciamento ambiental, com foco na prevenção da poluição e em controles que diminuam o impacto sobre o meio ambiente. Essa norma não abre mão da abordagem “planejar, fazer, checar e agir” (o famoso ciclo PDCA), mas requer alguns itens significativamente distintos dos da ISO 9001, como:

  • Foco na medição das características operacionais que causem efeitos negativos ao meio ambiente;
  • Identificação das atividades com impacto sobre a natureza e implementação de controles;
  • Plano de ação em caso de emergência e acidentes ambientais.

De qualquer maneira, há diversas abordagens bastante parecidas entre as duas normas. Por isso, se uma empresa já for bem estabelecida com os padrões ISO 9001, basta dar mais alguns passos para se adequar e conseguir implementar a ISO 14001.

Curiosidade: as mudanças da ISO 14001 em 2015

Foi em 2001 que se iniciou o processo de revisão para uma nova versão dessa norma. Ela foi publicada, posteriormente, como ISO 14001:2015 e contém uma parte estrutural da ISO 9001:2015.

Obter a ISO 14001 quando já se possui o selo ISO 9001 é bem mais fácil do que começar do zero. A evolução é até natural, já que existem diversos elementos comuns às duas regulamentações.

Mas voltando aos fatos: com a nova edição, apareceram mudanças que podem gerar diversas interpretações nos sistemas de gestão. Selecionamos algumas delas. Confira!

Adoção de uma nova estrutura

Essa é uma das alterações mais significativas.

A adoção do HLS (sigla em inglês para estrutura de alto nível) fez com que os tópicos de itens analisados ficassem assim:

  • Escopo;
  • Referências normativas;
  • Termos e definições;
  • Contexto da organização (SGA);
  • Liderança (responsabilidade da direção);
  • Planejamento (ações para tratar de riscos e oportunidades);
  • Suporte (administração de recursos);
  • Operação (planejamento e controles operacionais);
  • Avaliação de desempenho (medição, análise e melhorias);
  • Pontos e medidas para evolução.

Resultados do SGA (contexto da organização)

Agora, os resultados esperados do Sistema de Gestão Ambiental devem apresentar explicações, tais como:

  • Progressos no desempenho ambiental;
  • Cumprimento de obrigações de conformidade;
  • Conquista de objetivos ambientais.

Além desses dois novos fundamentos, há que se considerar, também, a adesão ao termo “obrigações de conformidade”, que entrou no lugar de “requisitos legais e outros requisitos”. É importante que essa mudança seja estudada por completo, pois, a partir de 2018, a versão antiga, de 2004, será descontinuada.

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