Desperdícios na construção civil e seus impactos

Para muitos, os desperdícios na construção civil podem compreender basicamente em entulhos. Porém, se pensarmos que desperdiçar algo significa perder recursos devido à má aplicação, falta de planejamento ou consumo exagerado, a visão é mais ampla.

A construção civil é uma indústria de números expressivos, graças à sua representatividade na economia do país. Porém, os índices de desperdício do setor são bastante elevados.

Obviamente, essas perdas não são somente materiais. Uma vez que funcionam como bola de neve, influenciam em várias outras ações. Tais como comprometer um orçamento, exigir retrabalho, atrasar a entrega do projeto e alterar a qualidade do serviço.

Costumava-se dizer que a cada três prédios construídos, um se perdia. Entretanto, recentes estudos desenvolvidos na Escola Politécnica da USP concluíram que as perdas de materiais chegam a 8% e as perdas financeiras, inclusive aquelas relativas a custos de retrabalhos, chegam a 30%. De todo modo, ainda são percentuais consideráveis.

Preparamos este post para abordar, em detalhes, os principais exemplos de desperdícios na construção civil, assim como os impactos gerados e as soluções aplicáveis.

Tipos de desperdícios na construção civil

Basicamente, são quatro os tipos mais comuns de desperdícios na construção civil:

  1. Materiais;
  2. Equipamento e maquinário;
  3. Financeiro;
  4. mão de obra.

Vamos, agora, abordar caso a caso, com práticas vividas no chão de obra e sugestões de resolução fáceis.

Desperdícios materiais

Pedaços e sobras de madeira, aço, telhas, tijolos, cimento e areia são exemplos de perdas materiais. Em termos gerais, entulho ou Resíduos de Construção e Demolição (RCD) são os desperdícios na construção civil mais fáceis de detectar.

Sabemos que toda obra produz resíduos. O problema é que, em grande parte dos casos, essas perdas não são contabilizadas e, portanto, é como se não tivessem valor.

No entanto, imagine a seguinte situação: uma parede ficou fora de prumo. A primeira ação do pedreiro é usar a argamassa disponível para nivelar a superfície, até que fique com a espessura correta, certo?

Agora pense que, no projeto, a espessura estrutural era de 15 cm e ficou com centímetros a mais. Você consegue calcular a quantidade de concreto adicional por metro quadrado? E se multiplicar esse valor por vários andares?

Uma das melhores formas de evitar que situações como esta aconteçam com frequência é garantir que os profissionais estejam atentos às especificidades do projeto. Dessa forma, torna-se mais fácil manter a construção o mais fiel possível.

É importante, ainda, que o trabalho no chão de obra seja supervisionado e que os obreiros fiquem cientes das boas práticas da construção. Incluindo formas de armazenagem e distribuição, transporte de matéria-prima, repasse do conceito de reciclagem, entre outros.

Além do uso demasiado de materiais causar danos financeiros, o destino inadequado pode gerar impactos ambientais significativos, como desperdício de água. É por isso que gestores devem estar atentos ao cumprimento das condicionantes legais dispostas na Resolução n° 307 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e na Lei n° 12.304/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Para enfrentar essa questão, é preciso buscar melhorias constantes da qualidade da obra, investindo em tecnologias para tornar as construções mais enxutas.

Desperdícios de equipamentos e maquinário

O mau planejamento logístico e as falhas na gestão de mão de obra são as duas principais causas das perdas de máquinas e ferramentas na construção civil.

Além de falhas ou quebras em equipamentos, os desperdícios desse tipo também incluem máquinas paradas por desencontros de datas ou horários de processos, aluguéis fora do prazo, falta de orientação e dimensionamento incorreto da frota.

O gestor de obras deve, portanto, acompanhar essas ações de perto, a fim de garantir que as questões de logística e organização sejam as mais eficientes possíveis.

Um canteiro com layout deficitário pode representar logística inadequada, com a ocorrência de deslocamentos desnecessários de materiais que, após recebidos, precisem ser movidos reiteradas vezes, até que sejam definitivamente aplicados na obra.

Tente visualizar o canteiro de obra estrategicamente. Se for preciso, desenhe a logística de cada processo. Estar ciente sobre as melhores práticas para obter eficiência energética nos diferentes estágios da obra também contribui para uma edificação sustentável desde a sua concepção.

Desperdícios de mão de obra

As soluções para evitar desperdícios na construção civil relacionados ao pessoal são bastante semelhantes às do item anterior. Para garantir que a mão de obra trabalhe com otimização de tempo e entrega de qualidade, é essencial garantir a logística e o gerenciamento adequados.

O tempo perdido por falta de material para a realização de atividades, por exemplo, impacta todo o processo produtivo, com repercussões financeiras negativas. Assim, é preciso que o arranjo do canteiro seja pensado para máxima otimização de deslocamentos e manuseios.

Pense, ainda, que a localização de banheiros, refeitórios e materiais de utilização constante deve ser pensada com praticidade. Reduza distâncias! Para evitar desperdício oculto, todo o processo de produção deve ser controlado.

Um tipo de perda de mão de obra é a ociosidade dos trabalhadores. Será que são mesmo necessários tantos pedreiros para a execução? Quando isso ocorre, é adequado realocar alguns deles para outros pontos, datas ou funções.

Investir no treinamento de toda a equipe é uma boa solução a fim de que desvios na gestão sejam controlados, assim como as perdas de mão de obra e materiais.

As tecnologias móveis são excelentes ferramentas para auxiliar na organização das obras. Portanto, devem fazer parte dos caminhos possíveis para redução de desperdícios e seus impactos decorrentes.

Desperdícios financeiros

Qualquer um dos exemplos de desperdício citados geram, em maior ou menor grau, perdas financeiras.

Novamente, quando existe um bom trabalho de gestão de obra, muitos imprevistos podem ser evitados ou amenizados. Ter uma estratégia bem embasada é a ação de maior foco em todo o processo da construção civil, da criação da planta à entrega do edifício.

Uma das maneiras de evitar desperdícios materiais é trabalhar com métodos de cálculo sobre demandas. Assim, é possível acompanhar rigorosamente o andamento da obra e do planejamento, bem como realizar o cálculo sobre os materiais necessários para cada etapa, evitando sobras.

Dar a devida atenção ao cronograma é primordial para efetivar um bom gerenciamento e, sem dúvidas, o caminho mais racional para enfrentar o problema. Só assim as perdas podem ser evitadas e os impactos, minimizados.

Conclusão

A palavra-chave para enfrentar os desperdícios na construção civil é: planejamento.

Se pensarmos que somente é possível controlar aquilo que conseguimos medir, a utilização de um sistema para controlar métricas tornou-se indispensável. Uma vez que este fornece relatórios diversos em tempo real, além de prever possíveis falhas e antecipar soluções.

Fazer uso de tecnologias móveis é, de fato, um caminho inteligente e inovador. Pois essas ferramentas melhoram o acompanhamento das obras, aumentando taxas de produtividade e qualidade, com uma redução proporcional de custos.

A Construtora Centro Minas (CCM) foi uma destas empresas que sentiu a necessidade de obter informações confiáveis sobre as ações realizadas nos canteiros de obras. Clique aqui para saber como a equipe conseguiu diminuir erros e incidentes.

E a sua empresa, já está pronta para o desafio de reduzir os desperdícios na construção civil? Compartilhe conosco sua experiência, deixando um comentário.

2 Comentários


  1. Muito bom, essa é a visão que tenho, como um profissional que estou na construção civil a quase 10 anos, e agora estou no 7º período em engenharia civil,já vi varias situações que além de dispersarem material, também atrasaram a execução da obra, por causa de mal planejamento, com muita pressa no canteiro de obra, fazendo as coisas sem pensar direito, executando as atividades com muita pressa, sem pensar nas próximas etapas da obra, e um serie de outro erros decorrentes da nossa cultura, como texto mesmo disse tem que realmente investir em qualificação profissional, mas o mais importante é mudar essa cultura implantando uma cultura diferente em todos os responsáveis desde o projetista até o ajudante.

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    1. Olá Leandro,

      Agradecemos seu comentário.
      Infelizmente essa ainda é uma realidade no dia a dia da construção mas que é possível mudarmos.

      Grande abraço.

      Responder

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