Tudo que você precisa saber sobre a ISO 9001 aplicada ao setor da construção

Você já sabe tudo sobre a ISO 9001 aplicada ao setor da construção?
Neste conteúdo, trazemos as informações mais atualizadas e relevantes para suas obras! Confira:
  1. O sistema ISO e a ISO 9001
  2. Por que aplicar a ISO 9001 na construção
  3. ISO 9001 e a gestão de qualidade na construção
  4. ISO 9001: o que mudou na versão 2015
  5. Como implementar a ISO 9001:2015 em sua empresa
  6. Além da ISO 9001: PPRA, PCMSO e PBQP-h
  7. Qualidade é indispensável

O sistema ISO e a ISO 9001

O sistema ISO (International Organization for Standardization) é o conjunto de normas que foi criado em 1947 para certificar organizações de diversos setores ao redor do mundo quanto à qualidade de seus produtos e serviços. No Brasil, são gerenciadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Embora a ISO 9001 seja a mais conhecida, ela não é a única nesse grupo. A ISO 9000, por exemplo, trata dos fundamentos e do vocabulário do Sistema de Gestão de Qualidade, e muitas vezes é utilizada em conjunto com a 9001. Dependendo do segmento de atuação, outras normas também podem ser relevantes.

Além de regulamentações sobre a qualidade, existem diretrizes sobre tecnologia da informação, automóveis, ambiente, segurança e saúde, e segurança alimentar.

De acordo com estatísticas da IRCA e da ISO, em 2013, havia 1,6 milhão de certificados emitidos globalmente. Uma boa porcentagem desses certificados era de organizações e empresas direta ou indiretamente envolvidas no setor de construção.

No setor de construção, o sistema ISO auxilia na qualidade dos processos, buscando a redução de retrabalho e de atrasos e gerando maior economia e organização nas obras.

Sempre que necessário, as normas ISO sofrem atualizações, justamente para se manterem pertinentes no mercado e aos usuários. A ISO 9001 teve sua última revisão em 2015, com algumas mudanças importantes, sobre as quais falaremos a seguir.

Por que aplicar a ISO 9001 na construção?

A ISO 9001 pode ser aplicada em diversos segmentos, visto que traz uma abordagem global, sem citar mercados específicos. Cada um deles pode apresentar razões diferentes para o seu uso. Aqui, falaremos sobre os três principais motivos para a indústria da construção:

Redução de custos

A construção é responsável por um grande pedaço do PIB brasileiro, pois movimenta muito a economia. Seja em obras pequenas ou em empreendimentos maiores, toda redução de custos é importante. A ISO 9001 possibilita que essa diminuição de despesas aconteça justamente com a melhoria da qualidade dos processos, obtendo um ganho em tempo e no uso de recursos, além de prevenir retrabalhos.

Padronização de serviços

Um dos maiores desafios na indústria da construção é a padronização de serviços, pois são muitas pessoas trabalhando em diferentes obras. Por diversas vezes, cada uma delas tem uma maneira diferente de realizar a mesma tarefa (nem sempre chegando ao mesmo resultado). No entanto, através da implementação de uma norma de qualidade, é possível obter essa padronização de processos, garantindo sempre a busca pelo melhor resultado possível. Além disso, fica mais fácil detectar erros e programar treinamentos aos colaboradores.

Melhora contínua

Com a aplicação de uma norma da qualidade, a busca pela melhoria contínua estará internalizada nos processos da empresa. A construção ainda é vista como um mercado que tem um caminho de evolução para percorrer, e esse aperfeiçoamento constante pode ser um grande diferencial. Seguindo as diretrizes, o crescimento será nítido com o passar do tempo.

ISO 9001 e a gestão de qualidade na construção

Para obter o certificado, é preciso satisfazer todos os requisitos da ISO 9001. Dentro do setor de construção, com a implementação de uma cultura que busque a qualidade, os benefícios disso podem ser vistos não apenas no produto ou serviço final, mas em todas as etapas do processo. São exemplos:

Planejamento

No Brasil, ainda se fala muito sobre a falta de planejamento na construção. Ao contrário de outros países, as obras, aqui, quase sempre começam sem planejamento e, às vezes, até sem projetos prontos. Um cronograma realista da obra faz com que atrasos rotineiros sejam minimizados. Sem atrasos, a construtora pode economizar com multas e indenizações, além da possibilidade de alocar os trabalhadores em novas edificações. Com um planejamento bem executado, também é possível fazer um cálculo de colaboradores, materiais e equipamentos. Isso trará a dimensão da obra e uma organização não somente em relação a prazos e datas, mas aos gastos também. Os elementos que consideramos de maior importância e impacto para garantir a qualidade da sua obra estão nesse e-book:

Como garantir a qualidade da sua obra: planejamento, matéria-prima e mão de obra

Controle de serviços terceirizados

Esse é um elemento crítico nas construções, que costumam envolver diversas empresas em um só canteiro. A ISO 9001 abarca a qualidade das corporações terceirizadas e a escolha delas, já que isso influencia a execução da obra. Nesse quesito, entram os trabalhadores terceirizados e, também, a compra de materiais por fornecedores. Esse controle depende de selecionar os parceiros certos e de uma gestão de pedidos, evitando atrasos e a falta de equipamentos na edificação.

Constantes avaliações internas

Quando se fala em qualidade, é preciso pensar em melhorias contínuas. O mercado está em constante mudança, e obras com longas durações devem acompanhar essas transformações durante suas realizações. A ISO 9001 traz não só a implementação da qualidade, mas uma abordagem para que ela esteja sempre em avaliação e evolução.

Otimização do processo produtivo

A gestão da qualidade está alinhada ao uso de novas tecnologias e métodos construtivos. A implantação dessas ferramentas em canteiros e o progressivo aperfeiçoamento das técnicas utilizadas na construção permitem que todos os processos sejam otimizados. Com a otimização de processos, os prazos, muitas vezes curtos, podem ganhar um respiro, e o tempo de sobra pode ser alocado para assuntos mais importantes do que correções e retrabalhos.

Redução de riscos

A última versão da norma, especificamente, possibilita que as empresas sejam menos reativas e mais preventivas. A redução de risco vem de uma cultura de planejamento e conhecimento prévio das consequências de determinadas ações. Esse conhecimento faz com que os responsáveis tomem decisões mais acertadas e corram menos riscos.

Liderança

A ISO 9001:2015 vem com um enfoque muito grande em liderança. Porém, diferentemente das versões anteriores, essa liderança agora é compartilhada entre diversas pessoas, transferindo a responsabilidade pela qualidade para mais setores. A qualidade passa a ser uma preocupação de toda a empresa e não de apenas uma equipe ou funcionário que realiza vistorias periódicas.

Destaque no mercado

Como a aplicação da norma dentro da construção nem sempre é simples, empresas que conseguem obter o certificado podem se diferenciar dentro do mercado. Inclusive, para manter a qualidade e o certificado, muitas preferem fazer negócios apenas com aquelas que também o possuam, assim como essa exigência pode fazer parte de licitações.

ISO 9001: o que mudou na versão 2015

A ISO passou por mudanças em 2015 para se manter relevante diante das transformações do mercado. Para as organizações que já tinham o certificado, o tempo de transição de uma norma para a outra é de três anos. Como a nova ISO 9001 foi publicada em setembro de 2015, o prazo para se adequar às mudanças e manter a certificação de qualidade é setembro de 2018.

Entre as alterações feitas, podemos citar:

  • Integração com outros sistemas de gestão, principalmente para que não haja contradições entre diferentes normas. Isso facilita o trabalho conjunto com outros programas, como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO);
  • Mudança com o papel de facilitador;
  • Utilidade aos mais diversos ambientes organizacionais, visto que, cada vez mais, com o avanço das tecnologias, os ambientes têm se tornado mais complexos, com grande volume de informação e pessoas;
  • Certificação de que a norma atenda a todos os grupos de potenciais usuários;
  • Foco no atendimento aos clientes com qualidade;
  • Conexão do sistema de gestão de qualidade à estratégia das empresas.

Para corporações de construção, uma mudança bastante interessante foi a nova mentalidade com foco na análise de risco. A ideia é prever e agir antecipadamente, sendo mais preventivo do que reativo e diminuindo o retrabalho. Essa nova cultura é beneficiada pelas tecnologias que surgem e ajudam no planejamento das obras.
A respeito do tema, temos um e-book indispensável para quem quer se manter relevante no mercado e trazer as novas tecnologias para suas obras:

Como garantir a qualidade da sua obra: controle e gestão com o auxílio da tecnologia

Como implementar a ISO 9001:2015 em sua empresa

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente a importância da documentação e de registros essenciais durante a implementação da norma. A gestão de documentos é imprescindível não apenas para esse processo, mas para a manutenção da qualidade como um todo. Sobre o tema, não deixe de ver o webinar que produzimos especificamente sobre como controlar documentos e registros:

Como fazer o controle de documentos e registros: ISO 9001:08/PBQP-h X ISO 9001:15

Embora não haja um sistema de etapas pré-definido e obrigatório, podemos abordar algumas fases recomendadas para a implementação do certificado. Veja:

1. Entender totalmente os benefícios da implementação

Conseguir o certificado ISO trará muitos benefícios para a construtora, mas isso não quer dizer que será uma tarefa fácil. Talvez, até a própria cultura organizacional tenha que sofrer alterações durante o processo. Portanto, é fundamental que todos os setores abracem a ideia. Sem o envolvimento de todas as pessoas, principalmente das lideranças, dificilmente a implementação dará certo.

2. Estabelecer os requisitos

É hora de analisar a ISO 9001 e seus requisitos, estudar quais deles se aplicam à empresa e como eles afetarão a atual cultura e administração.

3. Definir o foco

Estabelecer uma política dentro da empresa definindo o foco na ISO 9001. Tendo em mente os requisitos identificados na etapa anterior e, também, a cultura da corporação, nesse estágio, é decidida a maneira como será implementada a norma: quais processos serão o foco primário e quais serão os seguintes.

4. Elaborar instruções

Como o time vai realizar a implementação? De acordo com os processos já executados e com o que pede a norma, agora, é preciso elaborar instruções que serão entregues a toda a equipe. Essas orientações nortearão o trabalho e as próximas etapas. É necessário haver clareza no momento de transmitir as informações, pois todos devem compreender a atividade e a importância de cada um desse ponto em diante.

5. Implementação

São as ações tomadas com base nas fases anteriores. O que foi conversado entre os profissionais e planejado, agora, precisa ser executado.

6. Treinamento

É possível que nem todo funcionário esteja apto a adotar as novas práticas da empresa, portanto, treinamentos são necessários. As capacitações também são uma forma de apresentar novas metodologias e certificar-se de que todos estejam realizando seus trabalhos de forma padronizada. Se o treinamento for bem feito, ele pode abrir espaço para que cada trabalhador compartilhe suas práticas, e isso pode ser refinado a cada encontro.

7. Análises externas

Quando necessário, empresas terceirizadas podem fazer análises para a obtenção da certificação. É uma maneira de verificar se a organização precisa de mais tempo antes de obter a ISO 9001 e quais pontos ainda precisam ser trabalhados.

8. Coleta e análise de dados

Estes dados podem variar, mas são imprescindíveis para entender as mudanças e avanços. Quais alterações foram significativas? Quais ainda precisam ser trabalhadas? Com dados, o entendimento geral é muito mais fácil. E, embora essa fase esteja mais próxima do fim das etapas, quanto mais informações forem coletadas durante todo o processo, melhor será a análise e mais rico será o panorama final. Geralmente, esses dados são chamados de indicadores de desempenho.

9. Auditorias internas

As auditorias internas são importantes, pois são feitas por profissionais já inseridos na cultura da empresa e que conhecem os processos. Essas auditorias precisam ser periódicas e suas análises não podem esconder dados, mesmo quando se tratarem de funcionários da própria corporação, já que é preciso espaço para verificar os erros cometidos até aqui. Muitas vezes, os negócios contam com a ajuda da tecnologia para facilitar esse processo.

10. Relatórios internos

Através das auditorias, são gerados relatórios, que podem ser apresentados para as lideranças e, depois, repassados para toda a empresa.

11. Correção de erros e foco em melhorias

Após os relatórios internos e as análises, é necessário corrigir aquilo que tenha sido detectado como fora do padrão previsto. Isso vale não apenas para o que foi feito de errado, mas para reavaliar algumas mudanças que tenham parecido úteis anteriormente e, na verdade, se mostraram ineficientes quando aplicadas. O processo de qualidade deve estar em constante aperfeiçoamento e, diante da certificação, não pode ser diferente.

12. Certificação

Depois de uma mudança de cultura, da aceitação e de um trabalho de melhoria nos serviços e processos essenciais da organização, você já pode se sentir confiante para buscar a certificação com os órgãos responsáveis.

Além da ISO 9001: PPRA, PCMSO e PBQP-h

Ao falarmos dessa certificação, é preciso citar outras complementares, que também auxiliam na obtenção da ISO 9001:2015. São as seguintes:

Programa de Prevenção de Riscos

Este programa é obrigatório para todas as empresas que possuam um ou mais trabalhadores. Previsto pela norma regulamentadora NR-9, tem como objetivo preservar a saúde e a integridade física dos profissionais empregados. Dentro do PPRA, está a elaboração de um plano de avaliação dos possíveis riscos ambientais aos quais os colaboradores estejam sujeitos no local de trabalho (físicos, químicos, biológicos, acidentais e ergonômicos).

Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO)

Previsto pela norma regulamentadora NR-7, também é mandatório para todas as empresas que possuam um ou mais trabalhadores. A finalidade do PCMSO é atuar em conjunto com o PPRA, já que garante o acompanhamento dos colaboradores que estejam expostos aos agentes listados acima.

Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-h)

O Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat tem como propósito organizar o setor da construção civil através de ações desenvolvidas pelo Ministério das Cidades. As duas questões principais que o programa aborda são: melhoria da qualidade do habitat e modernização. Ele é responsável pelo controle do regimento SiAC, o Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil.

Qualidade é indispensável

Não se pode continuar fazendo obras sem preocupar-se com a qualidade, principalmente pela introdução de novas tecnologias a todo momento. Independentemente da área de atuação e do tamanho da empresa, o conhecimento sobre qualidade faz com que as corporações gerem mais resultados e se mantenham competitivas no mercado. Entendeu a importância da ISO 9001 aplicada ao setor de construção? Deixe seu comentário!