O triunfo da ousadia: Martinelli e a construção do primeiro arranha-céu da América Latina

Desde seu surgimento, as grandes metrópoles causam encantamento e atraem turistas curiosos por seus arranha-céus. Para quem observa do andar térreo, é mais fácil imaginar que os prédios gigantes brotaram do chão e se impuseram nos centros das cidades. Porém, o que parece mágica aos olhos de leigos é fruto de um imenso esforço conjunto da construção civil.

Um ótimo exemplo a respeito da ousadia de construtores é o Edifício Altino Martinelli, localizado no centro da cidade de São Paulo, ao lado do Vale do Anhangabaú. Quer saber mais sobre ele? Acompanhe:

edificio-martinelli1História do edifício Martinelli
Primeiro arranha-céu da América Latina, o prédio foi inaugurado em 1929, cinco anos após o início de sua construção. Com 20 andares, foi idealizado pelo italiano Giuseppe Martinelli e se tornou um símbolo de progresso para a cidade.

Desde o início de sua execução, o edifício foi motivo de uma grande polêmica. Na época, São Paulo possuía poucos prédios com mais de cinco andares e o projeto planejava alcançar a marca de 100 metros de altura, impressionando não apenas pela altitude, mas também pela largura de sua estrutura. Essa ousadia significou um marco na transição da cidade para a era dos arranha-céus.

Inicialmente projetada para ter 12 andares, a construção passou para 14 durante a execução, depois para 18, e no ano de 1928 foram acrescentados dois andares, chegando aos 20 um ano antes de sua inauguração.

Mas Martinelli não descansou. Poucos anos depois de sua inauguração, o prédio foi embargado por não possuir autorização para os já construídos 24 andares, levando o caso para os tribunais.

Após a avaliação de uma comissão técnica, que atestou a segurança da construção, o prédio obteve licença para chegar aos 25 andares. Porém, insatisfeito, Martinelli resolveu atingir o sonhado número de 30 andares – e de 130 metros de altura, por meio da construção de sua casa de cinco andares no topo do prédio, assim como o fez Gustav Eiffel no topo de sua famosa torre.

Edifício MartinelliMais do que um arranha-céu
O Edifício Martinelli se tornou admirável não apenas pela sua dimensão, mas por sua ornamentação. Construído com cimento importado da Suécia e Noruega, contou com cerca de 600 operários e com 90 artesãos, italianos e espanhóis, responsáveis pelo acabamento da fachada desenhada pelos irmãos Lacombe.

Além disso, foram utilizadas portas de pinho de Riga, escadas de mármore de Carrara, vidros, espelhos e papéis de parede belgas, louça sanitária inglesa, elevadores suíços, revestimentos de marmorite para as paredes das escadarias, pintura a óleo nos corredores a partir do vigésimo andar e 40 km de moldura de gesso em arabescos.

O prédio, que possui as três divisões da arquitetura clássica, embasamento, corpo e coroamento, possui reentrâncias para ventilação e iluminação que são muito comuns em hotéis norte-americanos. O embasamento pode ser observado pelo uso do granito vermelho; o coroamento, pela falsa mansarda ardósia; e o corpo é pintado por três tons de rosa, recobertos por massa também na coloração rosa, resultante de uma mistura de vidro moído, cristal-de-rocha, areias muito puras e pó de mica, o que faz com que sua fachada fique cintilante durante a noite.

Com quase cem anos de história, o Edifício Martinelli passou por uma diversidade de inquilinos. Inicialmente foi ocupado pelos nobres paulistanos como ponto de encontro mais famoso da capital. Durante a Revolução Constituinte, abrigou baterias antiaéreas que alvejavam os aviões do governo Getúlio.

Na Segunda Guerra Mundial, foi tomado pelo governo brasileiro, por pertencer em parte ao governo italiano e desocupado, acabou sendo invadido por famílias sem teto. No ano de 1975 aconteceu sua desocupação e então foi realizada uma grande reforma. Atualmente é ocupado por secretarias da administração pública de São Paulo.

Mudanças durante a obra
Engenheiros e profissionais da construção bem sabem: alterações durante o projeto ou mesmo quando a obra já está em fase de conclusão são muito comuns. Claro que o caso do edifício Martinelli é emblemático, mas o que fazer para evitar o vai-e-vém de informações quando o projeto demanda mudanças?

Dificilmente uma obra chega a dobrar de tamanho durante a execução, mas pequenas alterações podem gerar preocupações também. Martinelli não contava com os novos sistemas de coleta e transmissão de informações, mas os profissionais da atualidade já podem usar as tecnologias que permitem mobilidade ao mesmo tempo em que colaboram com controle de dados, apontamento e segurança por meio de dispositivos como tablets, smartphones e PDAs.

Como você lida com mudanças de plano e alterações nos projetos hoje? Compartilhe suas soluções conosco nos comentários!

Fontes: http://goo.gl/C2v1RO | http://goo.gl/AH0hpz | http://goo.gl/8NF8lH

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